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Dica de Filme

  • Foto do escritor: AlfaFoco Produçoes
    AlfaFoco Produçoes
  • 28 de set. de 2025
  • 3 min de leitura

Por que “Roma” é um filme essencial para quem vive de fotografia e vídeo. Quando falamos de cinema que inspira fotógrafos e videomakers, Roma” (2018), de Alfonso Cuarón, é quase um capítulo obrigatório. Mais do que uma narrativa comovente, o longa é um laboratório de composição, luz e ritmo que todo profissional da imagem deveria experimentar com atenção. Uma fotografia que respira em cada plano

Filmado em preto e branco com uma precisão quase cirúrgica, “Roma” transforma cada cena em uma fotografia de galeria. Os enquadramentos são milimetricamente pensados: a simetria, a profundidade de campo e o equilíbrio entre luz e sombra constroem uma estética que dispensa filtros. Para quem trabalha com foto ou vídeo, é um convite a repensar como cada quadro pode ser uma obra independente.


Esse plano de “Roma” é um exemplo perfeito de como usar linhas-guia (leading lines) para conduzir o olhar do espectador.
Esse plano de “Roma” é um exemplo perfeito de como usar linhas-guia (leading lines) para conduzir o olhar do espectador.


Este plano de “Roma” tem o mesmo encanto silencioso das fotografias de Henri Cartier-Bresson. É um pátio simples: uma porta gasta, vasos, gaiolas, uma bicicleta encostada, a escada de ferro projetando diagonais. Tudo parece casual, mas a composição é milimétrica.
Este plano de “Roma” tem o mesmo encanto silencioso das fotografias de Henri Cartier-Bresson. É um pátio simples: uma porta gasta, vasos, gaiolas, uma bicicleta encostada, a escada de ferro projetando diagonais. Tudo parece casual, mas a composição é milimétrica.

Como em Cartier-Bresson, há um equilíbrio natural entre forma e vazio: as linhas da escada criam ritmo, as texturas do muro e da folhagem dão profundidade, e cada objeto parece ocupar o espaço certo — nada sobra, nada falta. É a sensação de um “momento decisivo” sem pessoas, onde a luz suave e a geometria transformam o cotidiano em pura poesia visual.

Planos-sequência: quando a câmera conta a história

Cuarón escolhe movimentos de câmera longos e hipnóticos, que passeiam pelo ambiente sem pressa. Essa opção ensina uma lição valiosa: nem sempre é preciso cortar para manter a atenção do público. Às vezes, o simples deslizar da câmera é o suficiente para criar tensão, revelar detalhes ou conduzir o olhar do espectador de forma natural. O ritmo que nasce do silêncioApesar de suas longas pausas e diálogos econômicos, “Roma” nunca parece arrastado. O ritmo surge da própria cadência das cenas — da respiração dos personagens, do som ambiente, do fluxo dos acontecimentos. Para editores e videomakers, é um lembrete de que ritmo não depende apenas de cortes rápidos ou trilhas marcantes, mas também da coragem de deixar a história respirar.



Som como elemento narrativo

Em “Roma”, cada ruído tem peso: a chuva caindo, o eco distante da cidade, o tilintar de uma louça. O design de som é tão minucioso que praticamente coloca o espectador dentro da cena. Essa imersão mostra que o áudio é tão poderoso quanto a imagem — e que, em pós-produção, a trilha sonora pode ser construída com camadas de pequenos sons quase invisíveis. Narrativa que vai além das palavras

Com poucos diálogos, o filme prova que a força da imagem fala mais alto. Expressões, gestos e a forma como a câmera se aproxima ou se afasta dos personagens constroem emoções sem uma única fala explicativa. É uma aula para quem busca contar histórias visuais com profundidade e sensibilidade. O que Roma ensina a quem trabalha com imagem

Assistir “Roma” não é apenas consumir um belo filme; é estudar fotografia em movimento. É perceber que cada escolha — da paleta em preto e branco ao tempo de cada take — revela intenções narrativas que vão muito além da estética.

Para fotógrafos e videomakers, é um lembrete poderoso: não basta dominar a técnica, é preciso saber contar histórias. E, nesse sentido, “Roma” é mais que cinema — é um manifesto visual. Para mergulhar ainda mais nesse tipo de composição e encontrar novas ideias para o seu próprio trabalho, veja a galeria de frames que preparamos para você. Cada imagem revela, em detalhes, como a fotografia de “Roma” dialoga com os clássicos da fotografia de rua e oferece inspiração para criar narrativas visuais marcantes.


Assista ao trailer do filme, que está disponível na Netflix — ele dá uma noção poderosa do ritmo, da estética visual e da atmosfera que “Roma” constrói.

 
 
 

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